Não sei ao certo como age a mente de um humorista. Percepção aguçada,aliada à oportunidade e idéia, talvez. Ou simplesmente, o que muitos diriam: inspiração.Prefiro o termo inspiração...pois também,morfológicamente tem à ver com piração,e para "do nada" alguém produzir estapafúrdios como o que narrarei abaixo, só mesmo(e ainda bem) sendo "pirado" .
QUALQUER SEMELHANÇA COM PESSOAS MORTAS OU VIVAS, TERÁ SIDO MERA COINCIDÊNCIA.
Em muitas destas minhas andanças pelo interior, deparei-me com um fato inusitado.
Em uma cidade,também do interior,que pode ser situada em qualquer estado,sendo época de campanha eleitoral,havia grande quantidade de cartazes,faixas,panfleteiros e muros pintados com vários candidatos à vários cargos do pleito. Um, em especial, me chamou atenção. Não sei por quê,talvez pela forma da abordágem,ou do panfleto,mas me causou estranhamento o nome usado pelo candidato: JEGUINHO.
E em meio à tantos Josés isso, Joões aquilo, este era simplesmente... JEGUINHO !
VOTE NO JEGUINHO !
Cidade Grande é comum candidatos bizarros,incultos,com nomes ridículos, mas, cidade pequena, com poucas opções de candidatos, era estranho que alguém que atendesse pela alcunha de um animal associado à estupidez, tivesse a petulância de esperar representatividade em um pleito, por conta de talvez digamos...10 ou 15 mil votantes no máximo.
A cidade não era tão pequena,tinha até faculdade. Mas, o Jeguinho me intrigou. Quis saber sobre ele. No "santinho" me entregue pelo panfleteiro nada mais havia que a foto do referido animal, e não o da pessoa, e no verso, as propostas do candidato.
Como eu era "forasteiro" resolví saber mais, no único local, onde em cidade de pequeno porte, se sabe das últimas novidades: a barbearia.
O barbeiro, Seo Manuel, era um português de família que se estabelecera no local com o plantio da uva e fabricação de quitutes e dôces portuguêses, que até a cidade vizinha comprava. Ele, abandonou os estudos e a roça e abriu o próprio negócio, onde se estabilizara. Digo, para os padrões de uma cidade daquele porte.
Chegada minha vez, eu já com o avental, e uma revista do ano retrasado nas mãos,fui direto ao assunto: - Animada as eleições Heim, Seo Manuel ? E daí, o tal Jeguinho, ganha ou não ganha ?
E ele, coçando o bigode típico: - Ô Raios....Capaz que ganhe ! O menino é esforçado. Conheço-o desde que era um putinho. O gajo é muito querido aqui e as moçoilas querem por que querem casaire com ele. Mas, vive ocupado. Trabalha na diretoria do banco,escreve para a seção de economia do jornal da cidade e a noite dá aula na faculdade,onde ele mesmo se formou. É justo que não tenha tempo para namoricos. Além disso, é muito bom cliente aqui na Barbearia. Mas, quem pode dizer mais é o Dr. Túlio, que é urologista e candidato à suplente na chapa do Jeguinho.
Acabado o serviço e a informação, agradecí a cortesia e a conversa, e fui procurar o tal Dr. Túlio. Como a maioria dos cidadãos de cidade pequena,Dr.Túlio se desdobrava em mais de uma profissão,até pela necessidade de ocupar o tempo,mais que pela financeira. Montara um CAMPING nos arredores,onde estudantes de cidades vizinhas, vez por outra acampavam ao fazerem estágios ou cursos breves na faculdade local, uma vez que, sairia mais em conta que se os mesmos se hospedassem em um dos poucos hotéis da cidade que, geralmente por serem poucos, em periodos de férias,estavam sempre cheios.
Cheguei ao consultório e esperei. Era final da tarde, e a secretária já devia ter ido embora. Estava vazio e por isso,aguardei poucos minutos enquanto ouvia um barulho de fechar janelas e portas, no interior da outra sala, do estabelecimento.
Ao me ver sentado,na ante-sala, o Dr. Túlio assustou-se:
-ôpa...estou fechando...é algo urgente ? O senhor não é daqui, não ?
Me apresentei e disse que não era um paciente e sim um curioso sobre um conhecido dele, o tal Jeguinho. Expliquei que não queria ser intromissivo à ponto de ir procurar o próprio Jeguinho, e sim,saber como alguém que tem tantos predicados intelectuais e profissionais, possa ter um apelido associado à tão obtusa criatura quadrúpede.
O Dr. Túlio, coçou o queixo e me disse: - Se o senhor está com essa curiosidade toda,eu irei até o CAMPING agora,no meu Jeep, levar uns mantimentos e materiais, e posso lhe dar uma carona. Lá o senhor entenderá.
Concordei e andei alguns passos pela calçada até ver o Jeep estacionado na rua. Não entendo nada de carros nem veículos de quaisquer espécie, mas já ví muitos Jeeps. Este era relativamente novo e tinha uma capota grossa, de um material parecido com couro, mas de uma coloração mais clara, que devia ser desgaste pelo tempo de uso e demais variações climáticas.
o Dr. Túlio abriu gentilmente a porta para que eu entrasse, deu a partida e após um estampido do cano, o Jeep pôs-se em rumo ao camping.
O Tal camping não era longe. Uns 20 minutos aos arredores da cidade. Chegando ao local, eu pude ver uma cerca de arame, que circundava o local, que seria um pouco maior que um campo de futebol oficial,uma guarita na entrada, uma sala que servia de escritório e acomodações administrativas e naturalmente, várias barracas: TODAS iguais ou tão amareladas quanto a capota do Jeep do Dr. Túlio. Poderia até dizer, que todas eram até feitas com o mesmo tipo daquele couro meio amarelado e envelhecido. Parecia um acampamento indígena, destes que se vêem em filmes norte-americano com um tom sépia, devido à todas as barracas serem iguais em tamanho, aspecto, côr e característica.
Não entendí o quê tudo aquilo tinha à ver com o tal Jeguinho,uma vez, que o bom Dr. não tocara em seu nome e nem pronunciara uma só palavra durante o trajeto.
Passados não mais do que alguns minutos,o Dr. sai do escritório do Camping, após deixar com o encarregado o que porventura foi lá levar, diz uma coisa ou outra para uns poucos funcionários, dá uma volta pelas barracas verificando se está tudo ok, e se dirige à saída onde eu o aguardava.
Entra no Jeep, dá a partida e retorna para a estrada, novamente rumo à cidade.
Como minha curiosidade, à respeito do Jeguinho e do que ele tinha à ver com o Camping,agora era ainda maior, antes que eu perguntasse, o próprio Dr. espalmando a mão na testa e me encarando, disse: - AH. Esquecí completamente ! Sobre o Jeguinho, né ? Então.... Está vendo que meu Jeep tem essa capota ?
- Sim. Não identifiquei o material, mas parece ser muito resistente !
- Cidade pequena, sem recursos....sabe como é, né ?
- Mas... o senhor dizia...sobre o Jeguinho.
- Ah, sim. Então, gostou lá das barracas do Camping ? - Parecia uma espécie de enigma que ele estava me falando, e eu tentei deduzir: - Ah, sim. É do mesmo material da capota do seu Jeep, certo ?
- Sim. É do Jeguinho. Entendeu ? - Confesso que não havia entendido, até ele me explicar. Por isso perguntei: - Ah, o Jeguinho, é dono da fábrica que faz capotas e barracas, além das outras atividades, certo ?
- É...não da fábrica...A Fábrica é da capital e apenas fez a capota e as barracas.
- Continuo, sem entender, Dr.
- Bom...o Sr. não sabe que eu sou UROLOGISTA ?
- Sim...e daí ? Continuo ainda sem entender.
- Pois foi o que eu lhe disse: tanto a capota do meu Jeep quanto todas as barracas
do camping, SÃO DO JEGUINHO.... FÔRAM FEITAS COM A PELE QUE EU TIREI DELE, quando eu fiz nele uma CIRCUNCISÃO e também o operei da FIMOSE !!!
- Depois dessa, garanto que nunca mais quis saber a origem de nome nem apelido nenhum de NINGUÉM. E não sei COMO em minha santa ingênuidade e curiosidade eu não fui associar o apelido à "outra fama" que o JEGUE TEM.
ESSE BLOG ESTA DE PARABÉNS.Muito bo,mas você poderia deixar essas palavras chulas pra lá.
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